A Literatura Infanto-Juvenil e o Cinema

No Cinema Infanto-Juvenil, a supremacia das adaptações do bruxo Harry Potter ainda impera.

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Minhas literaturas infanto-juvenis, de quando eu era jovem, foram sempre levadas pelas histórias surreais e extremamente imaginativas do mestre Monteiro Lobato. Longe das polêmicas de preconceito, criadas recentemente a respeito da literatura de outros tempos de Lobato, eu o lia porque era o mais próximo que eu podia chegar da Lua ou mesmo das profundezas do mar. Na escola, fui impelido a ler a clássica Coleção Vaga-Lume, que no fim das contas acabei gostando. Tanto que li oitenta por cento dos títulos da Coleção, mesmo sem precisar ser avaliado pelo meu professor de Redação.

As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis.

Lembro que também fui apresentando a livros como Meu Pé de Laranja Lima (de José Mauro de Vasconcelos) ou o Menino do Dedo Verde (do francês Maurice Druon), que junto com O Pequeno Príncipe (de Antoine de Saint-Exupéry) acabei procurando ler o que a Literatura Infanto-Juvenil internacional também me proporcionava. Assim, conheci e acolhi como minha, a imaginação de C. S. Lewis.

A literatura de Crônicas de Nárnia para mim foi um avanço. Li todos os sete volumes, do O Sobrinho do Mago, a A Última Batalha. A relação que tive com o texto ao mesmo tempo infantil e inocente, mas rico de ideais de Lewis, foi o de me tornar um leitor com a mente mais aguçada em relação aos autores que se comprometiam a escrever para este tipo público.

Fui iniciado na literatura de Harry Potter pela minha esposa. Ela me pediu para ler o primeiro volume da série, para que juntos pudéssemos discutir sobre os caminhos que a literatura infanto-juvenil estava tomando a partir daquele momento. Decidi ler e acabei lendo os sete volumes e assistindo todos os oito filmes. Vibrei com o bruxinho desengonçado criado pela escritora britânica J. K. Rowling e tive emoções mais do que experimentais com as adaptações para o cinema. No fim, estava enfeitiçado por aquele mundo, não por ser uma literatura refinada ou um texto de alta erudição, mas por apenas me entreter, por fazer os jovens voltarem a gostar de ler e por trazer uma franquia cinematográfica nunca antes vista neste segmento. Alguma qualidade tinha que ter naquelas histórias e verdadeiramente tinha. Era uma sequência de textos no qual o cinema veio caminhando junto, crescendo com cada personagem, revelando que a literatura para jovens tinha despontado mais uma vez.

 

Outros tantos títulos vieram na onda deste novo fôlego para jovens leitores, mas nenhum conseguiu garantir o mesmo sucesso nas telonas.

Convenhamos que eu, grande fã de Crônicas de Nárnia, acabei decepcionado com a adaptação para o cinema. Não vou dizer que o filme seja ruim, mas os Estúdios Disney não conseguiram levar para as telas a obra original de C. S. Lewis. Faltou algo no primeiro filme (O Leão, o Feiticeiro e o Guarda roupa), assim como nas suas sequências (O Príncipe Caspian e A Viagem do Peregrino da Alvorada) que eu como fã simplesmente não consigo explicar. É como se as adaptações cinematográficas tivessem tirado de mim aquela magia do mundo além das portas de um guarda roupa, como se minha visão do livro fosse outra, deturpada por um Estúdio de cinema que parecia não conhecer a magnitude dos textos de Lewis. E todos sabem que a franquia começou adaptando o segundo livro, deixando O Sobrinho do Mago, onde conta-se a criação do mundo encantado de Aslan para trás. Um erro crasso.

Desventuras em Série, de Daniel Handler.

Nesta leva de filmes adaptados de livros infanto-juvenis temos a nítida impressão do fracasso dos grandes Estúdios em repetir a fórmula do sucesso que foi Harry Potter. Entre tentativas e erros, a maioria das adaptações acabou por ficar abaixo da média não dando nenhuma suscetível aspiração para outra boa franquia.

Desventuras em Série, escrita por Lemony Snicket (pseudônimo usado pelo escritor Daniel Handler para poder virar um narrador/personagem em sua própria obra), é uma coleção de treze livros simplesmente fantásticos onde nos conta, através de um clima sombrio e gótico, a história triste e desastrosa dos três irmãos Baudelaire que precisam achar, entre os parentes malucos, uma nova família. Mas eles sempre são perseguidos pelo vilão inescrupuloso, o Conde Olaf, que os quer como enteados sabendo de antemão, que na verdade, os jovens são herdeiros de uma fabulosa fortuna. A adaptação cinematográfica não é ruim, mas começar uma franquia de treze livros adaptando três deles num único filme, talvez tenha sido uma bruta mancada!

Outra franquia que não resultou em nada foi a Bússola de Ouro, filme baseado na trilogia Fronteiras do Universo, do autor americano Philip Pulmann. No princípio, a história sobre Universos Paralelos e de seres humanos possuírem avatares animais invisíveis virou uma febre, amigos meus me fizeram ler toda a série. Acabei detestando. Tanto os livros, quanto o primeiro filme adaptado e fiquei boiando diante do entusiasmo esquisito de todos.

Também não podemos esquecer-nos da tentativa de adaptação de As Crônicas de Spiderwick. A série, em cinco volumes, conta a história dos irmãos gêmeos que vão morar na casa da tia-avó e acabam descobrindo o espólio do tio Spiderwick e suas experiências em observar e catalogar as criaturas mágicas que vivem na floresta ao redor. O filme é ruim, infelizmente, porque a obra dos autores Holly Black e Tony DiTerlizzi nos transporta para um mundo fabuloso visto apenas através das pessoas que realmente sabem acreditar no fantástico, o filme, uma baboseira mal contada com efeitos especiais de puro mal gosto.

Uma coleção que não li, mas amigos meus que leram e que são fãs me relataram justificando que o filme não faz jus ao livro, é Peter Jackson e o Ladrão de Raios. Uma tentativa absurda de se criar uma franquia onde o primeiro filme já se mostrou patético. Depois que você assiste ao filme, a imagem do centauro metade ator Pierce Brosnan metade cavalo irá lhe atormentar para o resto de sua vida.

 

O que há de novo nas adaptações cinematográficas de livros infanto-juvenis?

No momento, terminei de ler O Orfanato da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares, do autor Ranson Riggs. Francamente, ainda para mim é uma literatura rasa, apesar do texto surpreender por ter sido escrito através de velhas fotos de baú coletado de anônimos e de trazer uma atmosfera mundo além, transgredindo sua imaginação, ainda assim, a história do primeiro volume da série se fechou muito além do meu esperado. Mas mesmo com um texto fraco a história surpreende por sua originalidade. Não posso falar muito sobre a adaptação para os cinemas de Tim Burton, apesar de gostar bastante do trabalho do diretor, não quero que este novo filme acabe se parecendo com a baboseira recheada de efeitos especiais absurdos que foi Alice no País das Maravilhas, um filme que não conseguiu nem chegar aos pés do desenho clássico absoluto da mesma Disney.

Vou ler agora a segunda jornada das crianças peculiares no segundo volume da série chamado Os Etéreos, depois eu conto!

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Formado em Artes e Letras. É Ilustrador Profissional, Quadrinista, Professor de Desenho, Escritor e um dos responsáveis pelo Estúdio de Quadrinhos UCMComics onde divulga e promove a cena independente na cidade de Curitiba. Já publicou diversos livros e revistas em quadrinhos, tanto impressos quanto digitais. Participou de diversas exposições de quadrinhos e artes plásticas, ministra Palestras, Workshops, Oficinas e Encontros como Quadrinista e Professor de Desenho.

  • Carlos Lopper

    Engraçado que eu estava me perguntando um dia desses sobre essas obras cinematográficas quando assisti a Coraline. Uma menina infeliz com sua vida, descobre uma passagem secreta em sua nova casa e vai para o mesmo ambiente, só que tudo está mais agradável para ela, sem saber que nesse “outro mundo”, na realidade é perigoso.

    A obra mistura o fantasia e o terror que particularmente eu adoro. Por ser um filme de Stop-Motion eu acho que a fórmula deu muito certo, mas acredito que se fosse em Live-Atcion poderia ter tão frustrante quanto os outros filmes citados aqui. Apesar de não ter tido tanta fama como os demais, tudo em Coraline é muito bonito, ambiente, trilha sonora, personagens etc. Se não assistiu ainda, vale muito a pena ver.