A Santa Paciência

A coluna de hoje vai tratar de um assunto vital para a vida do escritor, mas que, ironicamente, é a antítese da realidade: a paciência, que deve ser cultivada como uma flor em um jardim (comparação original, notem) para que o autor obtenha sucesso em sua carreira.

Falo sobre paciência porque, sendo uma pessoa relativamente ansiosa (para ser delicada sobre meus defeitos) e, felizmente, convivendo com muitos novos escritores brasileiros, percebo que sofremos de uma ansiedade crônica que só nos atrapalha no processo criativo.
Por isso, peço que leiam essas palavras com muito carinho, porque certamente vai ajudá-los a expandir sua metodologia de escrita e, consequentemente, auxiliar a atingir o grande objetivo: publicar sua obra.

A ansiedade na concepção da história

 
Uma das grandes causas do chamado bloqueio criativo é a ansiedade decorrente da criação inicial de sua história, aquele momento em que o escritor está delineando um roteiro para seguir. Penso, por vezes, que talvez seja por isso que Stephen King escreve tanto: ele não se preocupa com roteiros; dizem as más línguas que Bukowski também não. Isso pode ou não se aplicar a nós, pobres mortais, mas impossível não notar essa característica inventiva dessas duas grandes mentes.
Quando temos uma centelha criativa e pensamos “Caramba! Isso daria uma baita história” é que os problema começam, sem temer ser pessimista. 
Ficamos desesperados para conseguir montar um esquema crível e sem pontas soltas, nos esquecendo que, antes de mais nada, precisamos simplesmente começar a escrever.
Muitos escritores postergam o início da escrita porque ainda não conseguiram aquele final surpreendente, ou porque alguma ponta no meio da história ainda não tem como ser atada, e isso vai fazendo com que a paciência se perca e o escritor abandone um projeto, por vezes, promissor.
Então, nessa hora, respire fundo, esquematize o que conseguir e acredite que, no decorrer da escrita, as lacunas se preencherão como mágica. Apenas comece.

A vontade desenfreada de terminar a história a todo custo

 
Quando começamos a escrever uma história, temos aquela vontade natural de terminá-la logo.
Só que, se atropelarmos os detalhes, apenas visando o fim e não nos preocupando com o meio, certamente o desenrolar da história ficará prejudicado, talvez até tendo sua qualidade reduzida.
Então, escreva com tranquilidade, no seu ritmo, não esquecendo de todos os detalhes que devem estar presentes na trama para que haja qualidade literária. 
Se isso significar que você vai demorar um pouco mais do que desejaria, que seja. Pelo menos, no final, você terá a certeza que não deixou nada para trás e que sua obra está completa.
 

O mais fácil é escrever

 
Então, você se muniu de paciência, esqueceu que é uma pessoa que sofre de ansiedade crônica e escreveu sua história num excelente ritmo, vendo as pontas soltas juntarem-se no final e a história se desenrolando como mágica, pouco a pouco. Perfeito!
Mas e aí? Aí que começa a parte do cultivo da verdadeira paciência (é nesse momento que vocês me amaldiçoam, eu entendo).
Porque é muito fácil escrever. Quer dizer, para uma grande parte dos escritores, a história se faz sozinha, tão logo tenha sido escrita a primeira palavra no papel. 
Mas após esse procedimento, vem aquele que, sem dúvida, é um dos mais difíceis no processo criativo: reler, reler, revisar e alterar exaustivamente.
Só atenção: não sofram excessivamente nesse longo processo, porque o texto, aos olhos do escritor, sempre precisará de alguma alteração. Vai chegar uma hora que você precisará dar-se por satisfeito, não sem antes ter um trabalho que lhe exigirá equilíbrio e, de novo, paciência.

A longa fase da publicação

 
Agora o seu texto está realmente pronto. Se você já cansou de ler a palavra paciência aqui, sugiro que respire fundo e, ainda assim, continue, porque esse é o primeiro exercício para chegar à plenitude literária (acabei de inventar esse termo, espero que soe bem ou pelo menos, que não tenha ficado brega). 
A publicação do seu livro pode ser feita de algumas maneiras. Se você escolher a autopublicação por meios digitais, é mais fácil, porque depende exclusivamente do seu upload na plataforma escolhida.
Mas aqueles que escolherem os meios tradicionais, via editora, devem se munir de paciência extra.
Do momento do envio para as editoras até a resposta, podem se passar meses, e ainda assim, o seu projeto pode receber alguns nãos antes do tão esperado sim.
Não desanime nem fique ansioso. Lembre-se que Harry Potter foi rejeitado 14 vezes antes de finalmente ganhar uma publicação. Alguém, algum momento, vai acreditar em seu sonho.
Hoje, para nossa felicidade, é mais fácil conseguir publicar um livro. O mercado literário nacional vem crescendo e há muitas editoras menores que terão prazer em apostar em um novo talento. Só é necessário aguardar o momento e a proposta certos.
Não se esqueça de procurar editoras que publiquem o seu estilo literário, onde suas chances podem aumentar.

Meu livro foi aceito e publicado, e agora?

 
Agora começa o trabalho de formiguinha. Nenhum escritor conseguirá milhares de leitores do dia para a noite. E se você não for Raphael Montes, terá um árduo caminho pela frente. Muita calma nessa hora!
Aos poucos, fazendo divulgação em redes sociais, conseguindo parcerias, vendendo para amigos e parentes e também começando com o boca a boca você vai conseguir mais e mais leitores interessados no seu livro. E aí, com o tempo, sua “clientela” aumentará e ansiará por mais trabalhos seus.
Só que esse processo leva muito tempo. Então, não se desespere se ainda não atingiu uma quantidade de leitores favorável. O tempo é seu maior aliado nesse processo, junto com o real esforço para divulgar sua obra.
Como viram, companheiros de profissão, a paciência precisa estar presente em todos os momentos da nossa escrita. Temos que ter tranquilidade, porque escrever, além de tudo, é um ato solitário. Humildade também ajuda bastante, quando sabemos nosso lugar ao sol e entendemos que nada vem de graça, o trabalho de um escritor é bastante árduo.
Mas, com paciência, chegaremos onde almejamos!

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Soraya Abuchaim é casada, mãe e leitora compulsiva. Começou a escrever contos de forma despretensiosa em seu blog Meu Meio Devaneio. De uma ideia simples, surgiu seu primeiro romance, e desde então, tem trabalhado em vários projetos literários.