Entrevista com Rob Gordon

Hoje trazemos uma entrevista super dez com Rob Gordon!

 

Quem é Rob Gordon?

É publicitário por formação, jornalista por vocação e escritor.  Criador dos blogs Championship Vinyl e Championship Chronicles.

 

Obras:

 

 

Chega mais! Venha ler a entrevista!

 

Perla de Castro – Como e quando a Literatura entrou em sua vida?

Rob – Com certeza, desde que eu era criança. Meus pais sempre leram muito, então eu cresci cercado de livros e eles sempre me incentivaram a me tornar um leitor. Então, eu lia tudo, de quadrinhos a livros infantis. E nunca perdi esse hábito. Mas, falando como escritor… Bem, eu gosto de ver o escritor como um contador de histórias. Claro que existem técnicas e regras exclusivas do texto escrito, mas no fundo tudo se resume ao ato de contar histórias, que é algo que o homem faz há séculos. E, na adolescência, eu descobri que sabia como contar histórias, quando amigos meus pediam para eu contar as mesmas histórias várias vezes, porque gostavam do jeito que eu contava. Então, eu aprendi a escrever histórias antes de começar a escrever. Anos depois, quando eu comecei a trabalhar escrevendo – eu sou formado em publicidade, mas trabalhei uma década como jornalista – decidi um dia tentar escrever essas histórias… E nunca mais parei. Hoje isso é também meu trabalho, mas continua sendo a coisa que mais gosto de fazer na vida.

 

Perla de Castro – Nos conte como o blog Championship Vinyl nasceu, e sobre o que ele representa para você em sua trajetória como escritor.

Rob – Ele existe há dez anos e é a minha pedra fundamental como escritor. Como eu disse, eu aprendi técnicas de redação trabalhando como jornalista, mas escrever histórias foi algo que eu aprendi com meu blog. E eu nunca imaginei que ele ganharia essa proporção toda – ele foi criado apenas para que eu tivesse onde “guardar” as histórias que eu escrevia sem correr o risco de perder os arquivos. Mas foi com esse blog que eu comecei a escrever histórias de verdade. E isso não tanto apenas pela frequência. Foi ali que eu encontrei meu estilo, e me aventurei em outros tipos de texto, experimentando truques, técnicas e até mesmo textos de outros gêneros – uma coisa que quase ninguém acredita é que eu adoro fazer sonetos, especialmente pelo desafio de manter a métrica. Mas existe meu outro blog também, o Championship Chronicles, que é onde eu concentro mais trabalhos de ficção. O Champ Vinyl é um blog pessoal e também de crônicas porque eu me transformo num personagem. Então, podemos dizer que ele é quase que exclusivamente sobre minha rotina, mas sempre transformada em crônica; já o Chronicles é um blog com personagens fictícios (que podem ou não ser eu). Se pensarmos na minha trajetória, ambos têm um papel gigantesco – provavelmente eu não estaria respondendo a essa entrevista sem esses blogs.

 

Perla de Castro –  Como funciona seu processo criativo? O que te inspira?

Rob – Sobre inspiração, acho que não é uma questão de “o que”, mas sim de “quando”. Existem dias que estamos mais inspirados, e tudo o que aparece na nossa frente tem potencial para virar texto. Porém, em dias não tão bons, você pode ter uma ideia maravilhosa dançando na sua frente que dificilmente você irá conseguir fazer algo com ela. O segredo, acho, é compreender que o problema está no dia e não na ideia, e guardá-la para mais tarde.
Sobre o processo criativo… Eu mesmo já me perguntei isso muitas vezes, e nunca consegui responder direito. Na verdade, eu não sigo uma única regra, então creio que depende do texto – ou do dia. O mais normal é eu estar andando pela rua e a ideia aparecer na minha frente. Aí, eu não consigo pensar em outra coisa até me sentar no computador e escrever a crônica que, a esta altura, já está praticamente pronta na minha cabeça. Mas existe outra situação, que acontece normalmente quando eu já estou no PC. Eu simplesmente imagino uma cena e começo a escrever sobre ela, sem fazer ideia de onde o texto vai me levar ou de como essa história irá acabar. Esses dois métodos são os mais comuns, mas eu também tenho histórias maiores que ficam rodando pela minha cabeça durante meses, às vezes, anos, antes de ganharem vida – algumas delas estão começadas; outras possuem apenas arquivos com tópicos jogados no Word; e outras estão, por enquanto, apenas na minha cabeça.

 

Perla de Castro –  Quais suas inspirações literárias?

Rob – São muitas, e elas nem sempre ficam dentro de livros. Pensando em literatura, posso citar Luis Fernando Veríssimo que, para mim, é o maior cronista brasileiro de todos os tempos. Gosto muito de Terry Pratchett pelo humor do texto (que nunca se torna maior que a história) e de Nick Hornby – o que explica meu nome profissional – pela proximidade que ele cria entre seus personagens e o leitor.
Existem outras. Mas, como eu disse, elas não estão apenas nos livros. Em quadrinhos, por exemplo, o trabalho do Will Eisner é algo que sempre me inspirou demais – todas as minhas crônicas “Anônimos & Urbanos” bebem do sentimento desses textos. Música também é algo que me inspira demais. As músicas do Chico Buarque em que ele atua como “cronista” é algo que estudo bastante. E o mesmo vale para o blues dos anos 20 e 30, em que o músico conta uma história com começo, meio e fim em pouquíssimos versos com uma métrica específica.

 

Perla de Castro –  Como se dá a relação entre seus livros e seus dois blogs?


Rob – 
Na minha cabeça, é tudo muito bem separado. O Champ Vinyl, como eu disse, é um blog onde o personagem principal sou eu – então ele funciona sozinho e com um pé na realidade, já que eu posso falar desde o que aconteceu comigo no mercado até um post mais questionador, uma dissertação sobre o assunto que eu desejar. Já o Chronicles é diferente. Em dois livros, quase todo o material é tirado dele e eu enxergo todos aqueles textos acontecendo dentro do mesmo universo. Isso vale para as crônicas Anônimos & Urbanos, que apesar de ser o nome da minha primeira coletânea de crônicas, eu enxergo como um gênero dentro do que eu escrevo. Meu conto, O Dia em que a Inspiração Apareceu, ao menos na minha cabeça, pertence a esse universo. Então, são dois universos distintos: um que é meu e outro que é dos personagens que escrevo.

 

Perla de Castro –  Nos conte um pouco sobre a HQ Terapia e de como foi embarcar nessa aventura.

 

Rob –  Eu fui o último a embarcar. O Mario e a Marina já tinham o projeto e decidiram me convidar. Naquele momento, porém, tudo era muito embrionário, e sabíamos apenas que o personagem central seria com um garoto de vinte e poucos anos e a história seria contada por meio das sessões de Terapia. Quando começamos a produzir, eu percebi que o personagem precisava de uma válvula de escape e aí nasceu a paixão dele pelo blues, que reflete um pouco da minha paixão. Mas nesse primeiro momento eu não imaginava que o blues seria algo tão presente na vida dele – ou na HQ – mas isso logo ficou claro. Mas, mesmo assim, eu ainda insisto que a HQ não é sobre blues e sim sobre psicologia, e o blues funciona como um enorme tempero. É um dos trabalhos que me deixa mais orgulhoso, porque mesmo sendo apaixonado por quadrinhos desde criança, eu nunca havia escrito um. Então, tive que aprender fazendo, usando como inspiração minhas histórias preferidas, mas também cenas de filmes e seriados, até conseguir me sentir à vontade com aquele formato. Nos próximos dias, vou escrever a primeira versão do último capítulo – e não vai ser fácil, já que eu convivo com aquele garoto e seu terapeuta há anos. Para mim, eles não são mais apenas personagens, e sim velhos conhecidos.


Perla de Castro – 24 crônicas em 24 horas?! Conte como foi isso.

Rob – Na verdade, foi uma loucura. Como eu trabalhei muito tempo dentro de uma redação, eu desenvolvi a capacidade de escrever muito rápido, porque dentro do meu trabalho metade dos textos era “para ontem”. Então, eu decidi juntar isso com outro hábito que eu tinha, por causa do trabalho, que era o de varar madrugadas inteiras escrevendo. Então, fiz esse “acordo” com os leitores: eu ficaria 24 horas no ar escrevendo uma crônica por hora – e para mostrar que nada havia sido escrito antes, os leitores iriam me sugerir temas de hora em hora.
Então, em cada hora redonda eu entrava no Twitter e as pessoas sugeriam assuntos para crônicas, e eu escolhia, entre os mais interessantes, um que pudesse ser feito em uma hora. Produzia o texto, postava no blog e descansava um pouco até a próxima hora redonda, quando entrava no Twitter e pedia novos temas. Acho que comecei às oito da noite e fui até às oito da noite do dia seguinte nesse ritmo. Quando eu terminei, não conseguia mais nem andar direito, mas também não queria parar de escrever. Tanto é que descansei um pouco e voltei ao PC para fazer mais um texto. E isso tudo virou livro, com as 24 crônicas originais mais 24 com temas sugeridos que eu não aproveitei no dia, mas que eram interessantes – na verdade, 23, porque uma delas, para o livro, eu me dei o direito de escolher meu próprio tema.

Perla de Castro –  Qual sua visão sobre o crescente número de novos escritores pelas redes?

Rob – Eu gosto muito, claro. E a internet possibilita que qualquer pessoa seja lida, sem depender de editoras. Esse poder de criar seu próprio conteúdo e saber que ele chega até as pessoas é importante demais e está revolucionando um pouco o modo que enxergamos tanto o mercado como a arte da escrita. Além disso, hoje o escritor precisa ser 10% escritor e 90% vendedor para trazer as pessoas até o texto. E, claro, não é porque você pulou o degrau da editora e seu texto está disponível para qualquer pessoa que ele não precisa ser bom. O cuidado profissional com o texto precisa existir, o contato com os leitores precisa ser frequente, e seu trabalho precisa ser consistente, em termos de conteúdo e de periodicidade. Caso contrário, você pode ser o melhor escritor do mundo, mas irá desaparecer em meio às toneladas de histórias que estão nascendo todos os dias.

Perla de Castro – Podemos esperar por novidades durante 2017? Quais seus planos?

Rob – Como eu disse, sempre tem muita coisa na cabeça. Mas eu preciso administrar o tempo com os outros trabalhos que faço – além de jornalista, sou roteirista e redator publicitário e são essas atividades que pagam minhas contas. Mas tenho conversado sobre projetos com algumas pessoas e quero publicar pelo menos mais dois contos esse ano. Talvez dois que fechem uma espécie de trilogia com O Dia em que a Inspiração Apareceu, ou de temas completamente diferentes. Não sei ainda. Como eu disse, depende muito de como eu estou no dia – O Dia em que a Inspiração Apareceu, por exemplo, nasceu como uma crônica para postar no Chronicles, mas logo percebi que poderia ficar algo maior. Então, os temas ficam sempre em aberto na minha cabeça até eu começar a trabalhar de verdade com eles. Mas minha meta é terminar o ano com mais material publicado e produzindo algo novo sobre quadrinhos. Outro sonho que eu tenho e que tem ficado mais forte é um livro infantil, que é algo que está ganhando força na minha cabeça. E, claro, existe o plano de um workshop de crônicas ou de roteiros. Eu adoro dar aulas, e muita gente me pede isso. Enfim… 

Perla de Castro –  Deixe uma mensagem para nossos escritores leitores.

Rob – Escreva muito. Escreva sempre. Ao invés de perder tempo pensando se sua história vai ficar boa ou se as pessoas vão gostar dela, escreva sua história. Por isso, nunca escreva o texto que você acha que as pessoas querem ler, mas sim o texto que você gostaria de ler sobre a história que você quer contar. Além disso, seja o leitor mais exigente do mundo a respeito daquilo que você escreve: não tenha medo de revisar, de cortar trechos enormes ou até mesmo alterar capítulos inteiros – lembre-se que você trabalha para a história, e quem manda é ela.

 

Espero que tenham gostado e que cada resposta tenha trago muita inspiração a todos vocês!

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Até breve!

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Perla de Castro é fotógrafa em Queimados,RJ.Formada em Administração e Design Gráfico.Devoradora de livros e viciada em fotografar tudo que vê por perto. Escreve desde os 11 anos e nunca parou. Preenche o tempo vago respondendo cartas e assistindo séries. Questiona tudo o tempo todo e adora observar. Escritora amadora e gostaria de ter vivido na mesma época que Fitzgerald, Gertrude Stein e Hemingway.