Exorcizando Seus Verdadeiros Medos

Como o bom desempenho da literatura pode conseguir aflorar em você as suas melhores emoções.

exorcista

Comecei a pensar sobre este assunto quando recebi uma postagem, em uma de minhas redes sociais, de um leitor de meu site pessoal perguntando-me se realmente os roteiros de quadrinhos, ou mesmo as histórias dos livros, podem causar esta sensação tão apavorante, mas ao mesmo tempo tão gostosa, que é a de sentir medo.

Fiquei meditando sobre isso e cheguei a conclusão que não somente ao cinema, com suas cenas impactantes, suas luzes e sombras bem colocadas e suas músicas retumbantes, cabe este papel. Os quadrinhos e a literatura também conseguem e muito bem aflorar todas as emoções dignas de um ser humano homo sapiens normal.

Sou o tipo de pessoa exigente demais pelo gênero que pretendo seguir e assim concluo minhas críticas. Por isso, se escolhi uma comédia, no mínimo quero gargalhar feito um pateta; se escolho um drama, quero me emocionar ao ponto de, se conseguirem, me fazer chorar; se o gênero for terror, eu quero, ou melhor, eu exijo sentir medo!

Como na Coluna “E Tenho Dito!” eu pretendo falar sobre literatura, então é sobre ela que vou discorrer. Deixo o tema quadrinhos (que também sou apaixonado) para meus outros colegas colunistas. A partir daí posso dizer que jamais senti tanto medo quanto o que senti ao ler “O Exorcista”, de William Peter Blatty. Sim, o livro é perturbador e quando falo que além de fã sou um ávido curioso a respeito do tema “demônio”, não posso furtar-me de dizer que o filme também me perturbou. Não sou religioso, minha curiosidade se resume em filosofar sobre o quanto ele, o demônio, atemoriza o simples mortal a ponto de criar nele ebulições apavorantes.

 

Assisti “O Exorcista” da melhor maneira possível: sentindo muito medo!

Fui convidado por amigos para uma sessão, em comemoração aos 25 anos do filme no cinema, à meia noite. Fomos. Eu já tinha lido o livro e o filme eu assistira dublado em algum Canal da TV Aberta. Vou ser franco em dizer que saí, não, não apenas eu, mas todos saímos apavorados. Lembro que um de meus amigos, poeta, acabou por desistir por um bom tempo em compor canções com o tema “diabo”. Eu mesmo tinha feito desenhos macabros com crianças demônios e acabei por destruir todos e naquela mesma semana tive um pesadelo terrível de alguém que me entregava um bebê demônio no portão da minha casa!

Pessoas, “O Exorcista” é um dos melhores livros que já li e um dos melhores filmes de terror que já assisti. Não consigo achar outro que o substitua em minha videoteca neste gênero específico.

William Peter Blatty.

William Peter Blatty escreveu o livro baseado numa história supostamente real e a partir de pequenos relatos criou uma obra de ficção alinhavada por um realismo chocante. O Exorcista é até hoje o seu ganha pão, jamais um livro de terror vendera tanto em tão pouco tempo, criando um frisson nos leitores que por vezes o tomaram como uma obra real.

Assim é criado o leitor neurótico. Assim temos os que acreditam que o Santo Graal está no sorriso enigmático da Monalisa, naqueles que acreditaram que a história de Rosemary era a profecia de que o anticristo viria ou mesmo que a pequena menina de 12 anos tinha uma história triste de um demônio acadiano dentro do corpo. Esta é a característica do medo, tornar real seus piores pesadelos.

William Friedkin.

Quando o diretor William Friedkin começou a rodar o filme da menina Regan possuída por um demônio milenar chamado Pazuzu, ele já vinha de um grande sucesso cinematográfico, que era o filme “Operação França”, com Gene Hackman.

Friedkin leu o livro de Blatty e o achou assustador, além disso, sabia que tinha em mãos algo que poderia criar o verdadeiro medo nas pessoas. Alguns anos antes Polanski levou ao cinema o livro de Ira Levin, “O Bebê de Rosemary”, que criou uma confusão ao ser associado ao crime de Charles Manson e sua turma de malucos (onde até a música dos Beatles, “Helter Skelter”, pichada nas paredes da casa do diretor, entrou na teoria da conspiração), por isso, Friedkin sabia realmente o que queria.

Seu roteiro saiu do próprio livro de Blatty. O próprio diretor apontou com uma caneta bicolor as passagens que iria filmar e aquelas que deixaria de fora. Contratou o autor do livro como seu consultor pessoal, escolheu o elenco e deu asas a imaginação de todos.

O Exorcista – o filme.

Algumas lendas sobre as filmagens são reais, outras não. Que atores e equipe técnica morreram durante as filmagens, isso não é nenhum tipo de ocultismo, é a vida; que o susto que o Padre Karras recebe com o telefone veio através de um tiro dado no estúdio, isso é verdade; que caiu uma maldição sobre a atriz Linda Blair por ela ter brincado com o demônio e jamais ter conseguido bons papéis no cinema, é besteira para justificar uma péssima atriz quando adulta; de que a atriz Ellen Burstyn, que faz a mãe da menina possuída, fora puxada por cabos com violência para dar mais realismo quando esbofeteada pela filha, foi verdade; assim como o vômito no rosto do Padre Karras, no qual o ator jamais imaginou que iria ser lavado por uma sopa verde de ervilhas.

Então, podemos realmente sentir medo lendo História em Quadrinhos e Livros?

Você deve estar se perguntando qual foi minha resposta dada ao garoto quando perguntado sobre se há como sentir medo com livros e quadrinhos. Eu disse a ele que sim, nós podemos sentir grandes suores apavorantes ao ler certo livros e quadrinhos.

Indiquei, claro, “O Exorcista”, assim como o convidei a fazer uma visitinha ao Hotel Overlook, no “O Iluminado”, do Stephen King.

Indiquei-lhe também a procurar todas as edições da antiga revista “Calafrio”, da Editora D-Arte do Rodolfo Zalla, como todos os títulos de terror que povoaram as bancas de revistas nos anos 1980 (“Spektro”, “Sobrenatural”, “Histórias do Além”). Não podemos esquecer também de ler a antiga revista “Kripta”, onde estão as melhores obras de quadrinhos de terror do mundo.

Sim, sinta medo, sinta muito medo. É bom e acelera sua pulsação.

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Formado em Artes e Letras. É Ilustrador Profissional, Quadrinista, Professor de Desenho, Escritor e um dos responsáveis pelo Estúdio de Quadrinhos UCMComics onde divulga e promove a cena independente na cidade de Curitiba. Já publicou diversos livros e revistas em quadrinhos, tanto impressos quanto digitais. Participou de diversas exposições de quadrinhos e artes plásticas, ministra Palestras, Workshops, Oficinas e Encontros como Quadrinista e Professor de Desenho.