Por Que Você Ainda Não Leu “A Guerra da Arte”? (Ou, o Guia Definitivo Para Vencer a Resistência)

Resenha do Livro A Guerra da Arte. Será Que Você Está Pronto Para Correr Atrás dos Seus Sonhos? Você é Forte Para Isso?

 

A Guerra da Arte (Steven Pressfield, o mesmo autor de Portões de Fogo e Campanha no Afeganistão) é um dos melhores livros já escritos nos últimos tempos. Só os tolos vão deixar esta obra passar.

A Guerra da Arte, por Steven Pressfield. Ed. Ediouro

Sim, é isto mesmo: Este livro é simplesmente bom demais para não ser lido.

Se você foi um daqueles que empinou o nariz para tal livro depois de algumas páginas, pare aqui e não perca seu tempo.

Irei falar de muitas coisas envolvendo as terminologias, conflitos e situações de qualquer trabalho criativo ou que exija um esforço quase sobre-humano do indivíduo; e se você é um daqueles que acredita que o autor foi longe demais ou se colocou em um patamar ególatra, bem, pule para outro artigo (escolha qualquer um aqui).

Este livro não é para qualquer um.

Ame-o ou queime-o.

Foi feito para despertar a parte criativa da sua consciência e te dar um belo chute na bunda, te fazer correr atrás do que você deveria estar fazendo há anos. Não será uma boa leitura se o que você gosta é de conforto e palavras de inspiração. Aliás, se você espera pela inspiração vir antes de escrever, talvez seja melhor procurar outra profissão.

Deixando isso claro, vamos ao que interessa.

 

Resistência x Autor : Um eterno conflito

Se você não está falhando de vez em quando, é sinal de que não está fazendo nada inovador.Woody Allen

 

 

 

“Se teu fracasso ainda te incomoda, você não fracassou o suficiente.”

“A Guerra da Arte” é simples e direto.

Sem papas na língua, traçando com precisão cirúrgica a diferença entre o que é um profissional e um amador.

Meu tom incisivo do primeiro e, agora, segundo artigo (saiba mais aqui) não é por mera vontade de um pequeno escritor querendo botar uma banca encima dos outros.

Quando o assunto é arte, muito se pensa em trejeitos “fru-fru”, pessoas afetadas; inteligências tão singulares que nunca vão se adequar à nossa sociedade ou aos padrões medíocres de nossos dias.

Este livro não só metralha estas concepções falsas como mostra que o indivíduo, trabalhando com a energia criativa (como um escritor), é muito mais um paciente e dedicado artesão do que uma personalidade lindíssima que atrai seguidores.

Pra ser exato, estes clichés literários são as vítimas mais correntes da “Resistência”.

Resistência é como o autor define esta força opositora. O que ela é de fato ele não sabe ao certo, mas é aquilo que vai destruir você em sua carreira em minutos, se vacilar em sua vigília.

Sim, é isto mesmo: Não há força mais destruidora do que a Resistência. Ela pode vir de muitas formas, seja como depressão crônica ou problemas para se levantar de manhã.

 

Como vencê-la?

 

“Lembre-se que uma conquista em vendas não está sempre ligada à uma conquista literária.”

Ninguém que veio à este mundo está livre desta força opositora. Ela pode tomar muitas formas, pode fazer tudo se virar contra você.

 
Se precisa da aprovação da namorada para publicar um livro, este é um exemplo. Ela é basicamente a força que terá de combater para conquistar sua própria liberdade e seu dom.
 
Não há outro caminho.
 
O processo é lento, doloroso, terá de vir de suas vísceras e fazer você digitar uma palavra de cada vez enquanto sua cabeça te tortura durante o processo.

Não conseguiu escrever nada hoje por faltar inspiração?

A Resistência acaba de fazer mais uma vítima!

O livro enfatiza esta capacidade de enfrentar todos os possíveis fracassos até fazer aquela obra ir finalmente para o papel. Fala também de como, em tempos antigos, os homens lidavam com esta força.

O exemplo das Musas da mitologia grega é pontual: elas vêm e fazem o chamado, sabem que dentro de cada artista jaz a “Quinta Sinfonia” de Beethoven ou uma história inesquecível como os quadrinhos de Sandman.

Mas então, você acorda para o trabalho, reclama do trânsito, recebe um pito do chefe e tudo aquilo vai para o ralo rapidinho. Você chega em casa, tenta dormir enquanto aquele sonho continua iluminando sua mente, mas você é bom demais para ele, está ocupado demais para seguí-lo.

A Resistência sorri, satisfeita.

Mais uma vítima que, sem a menor noção do que a aflige, dorme despreocupada.

 

Caminhando entre Gigantes

Não vá delicado nessa boa noite. Raiva, raiva contra a morte da luz.Dylan Thomas

 

 

king-leonidas-the-battle-of-thermopylae-300
“Os antigos espartanos educavam-se a considerar o inimigo, qualquer inimigo, como alguém sem nome e sem rosto. Em outras palavras, eles acreditavam que se fizerem seu trabalho, nenhuma força na terra poderia estar contra eles.” – Pressfield, A Guerra da Arte.

Segundo Steven Pressfield, o processo de passagem do amador para o profissional é o que separa os homens de gigantes.

O livro por ele mesmo não se limita apenas à escritores, pode ser lido como autoajuda por qualquer pessoa em qualquer profissão. Contudo, concluí que este livro merecia uma atenção pois é de um escritor para escritores.

Se você já esteve diante de uma folha em branco. Se matando para digitar as próximas linhas, já deve ter ouvido falar da fatídica “Resistência”.

Este termo foi cunhado por ele mesmo, considero bem colocado.

É muito difícil de explicá-la para outra pessoa sem que se tenha uma experiência no assunto. Porém, assim que você vê mais um autor esquecendo seu trabalho na gaveta, mais um atleta barrado no doping ou mais um empreendedor largando seu sonho para voltar à vida de assalariado, Steven apontaria para estes exemplos e diria:

“A Resistência venceu de novo”.

O livro é dividido em três partes, com um prefácio de Robert Mckee (mais detalhes aqui) que ajuda ainda mais a esclarecer a obra.

A sucessão de exemplos e experiências vividas pelo próprio autor ao tentar seguir sua carreira deve soar familiar a cada pessoa que esteve “lá fora” lutando pela sua missão, sua vocação.

Há muito que pode ser dito sobre a Resistência, mas não quero soar redundante.
Só posso terminar esta resenha recomendando o livro como muito mais do que um manual ou livro de autoajuda, mas também como um boost energético para despertar sua alma.

E aí, como está sua luta contra a Resistência?

Aproveite os comentários abaixo para contar-me o que você feito para enfrentá-la. Ou compartilhe esse post com algum amigo que pode estar combatendo a Resistência nesse exato momento.

Você Não Vai Querer Perder o Próximo Post
Venha para a classe VIP da Escola de Escritores. Inscreva-se ao lado; fique por dentro das novidades do Vida de Escritor. Estamos preparando posts cada vez melhores (como esse) para você. Sério! Eu não ficaria de fora.
Também odiamos Spam! Seu e-mail está seguro conosco.

Leandro Castro (Colaborador) é estudante da língua inglesa, leitor assíduo e escritor amador. Tem como hábito perseguir os sentimentos ocultos nas entrelinhas deixada pelos grandes autores, sem ter consciência do que isto pode acarretar. Nas horas vagas mergulha em RPG, música, poesia, magia e meditação.

  • Pingback: Afinal, Escrever é Difícil | Vida de Escritor()

  • Acabei de ler. É um otimo livro. Depois de lê – lo é difícil ficar indiferente quanto à resistência e racionalização. Abraço

    • Gahas

      Robs, tenho tentando achar esse livro e não consigo. Quer me emprestar ou vender?