Quer Viver de Escrever? É Hora de Dar a Cara a Tapa

A diferença entre as bandas de garagem e as que saem em turnê, tem álbuns clássicos e até Disco de Ouro é apenas uma: souberam o momento certo de sair da garagem e subir no palco. E aí, pronto para fazer o mundo conhecê-lo?

Olá escritor (a).

“Não importa como você bate e sim o quanto aguenta apanhar e continuar lutando; o quanto pode suportar e seguir em frente”. – Rocky Balboa

Você já sabe que existe um abismo entre fazer algo por hobby e fazê-lo porque é o seu objetivo de vida.

No último final de semana, realizamos o primeiro encontro oficial da equipe de colunistas do Vida de Escritor no Skype – e a dominação mundial já tem data marcada.

Encheu meu coração de alegria descobrir que para alguns colunistas, é vital para suas carreiras estar escrevendo para esse blog. Percebi em Carla Umbria, Marco Paiva, Soraya Abuchaim e Leandro Castro, uma alegria genuína por terem voz aqui no VdE.

Por ter seus artigos publicados, sendo comentados por você (leitor ou leitora)

Por isso, essa semana resolvi trazer um assunto muito sério para esse diário virtual. Algo que já custou a carreira de muito escritor bom e que escreve com qualidade.

Sendo bem óbvio: existe uma enorme diferença entre escrever porque você sente vontade… ou porque fazê-lo é uma “responsabilidade com sua alma”, como diria o quadrinhista Alan Moore.

Voltando a falar da reunião, constatei que, muitos estão praticando a anos. Poucos estavam treinando. Qual a diferença? Já, já você entenderá.

E, assim como eu (no passado), a maioria dos colaboradores, sem ter uma periodicidade, escreviam apenas quando sentiam inspiração… E ainda assim, nunca mostravam seus maravilhosos escritos ao mundo.

Sad, so sad…

 

A Autocrítica: Essa M&#d@ Que Está Sendo Jogada No Ventilador

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No começo é assim: sentimos medo até de chamarmo-nos de escritores; e nosso próprio senso crítico sabota o trabalho antes mesmo dele estar finalizado.

Você sabe o que é isso. Aquela sensação de vergonha por ter perdido uma tarde de sol em frente ao notebook e só ter escrito 400 palavras;

Aquela angustia draconiana que quer sair para o papel, mas se transforma em uma lagartixa frente ao pavor de ser lido e criticado por outras pessoas;

O pesadelo de ter que explicar aos seus pais que não quer terminar o curso que, eles dizem, será importante para seu futuro – pois prefere suas noites treinando escrita.

Você precisa curar-se da “síndrome da autopublicação”, antes que o sonho de viver para contar um conto encontre seu fim numa sala de hospício.

 

Você Não Dura 10 Minutos de Porrada Contra a Vida, Morô?

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Não desanime.

Existe um tratamento e parte dele é aceitar que nenhum escritor é bom sozinho.

Não somos feitos apenas do que escrevemos. Não somos uma ilha isolada no oceano. Mas um continente banhado por ondas que nos ajudam a trabalhar.

Essas ondas são aqueles editores chatos que fazem “sugestões mercadológicas” em nosso livro; os leitores pedindo que próximo post seja melhor do que o último e os livros, filmes e gibis que assistimos; as músicas ouvidas e, claro, a vida que vivemos.

Paulo Coelho, em “O Aleph”, afirma que a profissão de escritor é a mais difícil que existe. Não sei se concordo com ele, todavia, se de fato for: não é mais confortável saber que há tantas pessoas te ajudando no trabalho?

Sendo assim, é lógico que você vai sentir medo de mostrar seu texto ao mundo.

E se ficar horrível? Tudo bem, diga a sua autocrítica que: “o que estou fazendo não é nem um pouco fácil”. Então, como diz a campanha de alvejante, deixe a ‘neura’ de lado.

 

Seu Trabalho Não Tem Importância Nenhuma

 

“Não se chega a lugar algum sem disciplina”– Luis Eduardo Matta, escritor brasileiro de romance policial 

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Todo autor tem um trabalho – um conto, o prólogo de romance ou um blog post inacabado – que teme e ao mesmo tempo deseja mostrar ao mundo. Sem se dar conta de que: enquanto alguém não ler isso, isso não tem importância nenhuma.

Sad, but true.

O mesmo acontece quando você está praticando algo, sem um objetivo ou finalidade clara para essa prática – mesmo que seja a longo prazo.

Somente quando você encarar a carreira de escritor como uma profissão como qualquer outra é que se consegue avançar. Isso significa ter prazos, metas e investir em formação adequada como livros, oficinas e exercícios – mesmo que escrever seja o seu “trabalho noturno não remunerado”.

 

Você Tem Algo a Dizer e Sempre Haverá Alguém Querendo Te Ouvir

 

“A vida não é o bastante” – Escritor e Professor de Escrita Luiz Antonio Assis Brasil 

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Esqueça aquela história de que você precisa ser muito bom até mostrar os seus textos a alguém. Nunca chegará nesse nível de maestria se escrever somente para si.

Você precisa de revisores, leitores ideais e pessoas que criticam seu trabalho. E deve aprender logo cedo a criar filtro para essas pessoas.

Pode passar sua Vida de Escritor praticando ou fazendo cada segundo gasto para escrever uma palavra, valer a pena. (Se você acompanha meus artigos aqui no site, sabe muito bem que não sou contra a prática, desde que ela tenha um propósito).

Se seu propósito é tornar-se um profissional. Então aja como tal. Escreva todos os dias e escreva de qualquer jeito:

  • Escreva com inspiração.
  • Escreva sem inspiração.
  • Escreva porque está feliz.
  • Escreva nos dias tristes.
  • Escreva quando sobrar tempo.
  • Escreva nos dias que sua rotina está agitada.
  • Escreva!

Isto é, se você deseja mesmo que seu trabalho seja publicado em alguns anos.

Está ok para você se suas palavras nunca forem lidas pelas pessoas que querem/precisam lê-las?

Então, não mude. Esqueça esse post e continuamos amigos.

…                     

A Diferença Entre Praticar e TREINAR

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Ah… Você continua aqui? Isso só pode significar uma coisa: resolveu aumentar o difficulty level da sua vida. Parabéns!

Estou muito feliz por saber que daqui para a frente deixará de praticar e começará a treinar. Como um escritor de verdade faz.

Para comemorar esse acontecimento, separei para você minhas 10 dicas finais para você finalmente começar a dar a cara para bater – e fazer de um jeito que deixaria o Rocky Balboa orgulhoso.

 

10 Hábitos de Escrita Para Você Parar de Praticar e Começar a Treinar (Fazendo o Stallone Sorrir):

HOLLYWOOD, CA - FEBRUARY 28: Sylvester Stallone attends the 88th Annual Academy Awards at Hollywood & Highland Center on February 28, 2016 in Hollywood, California. (Photo by Mike Windle/Getty Images)

  1. Escreva textos pequenos de 500 palavras. Em seguida, vá aumentando +100 ou +500 palavras a cada semana – na velocidade que sentir-se mais seguro.
  1. Crie um blog.
  1. Crie um prazo para publicar seus blog posts (1 post/mês, 1post/quinzena ou 1post/semana, 2post/semana, etc.).
  1. Quando sentir-se mais seguro, procure blogs de outros blogueiros (dentro do seu nicho) e ofereça-lhes um post exclusivo escrito por você [sem cobrar, apenas pela divulgação]. Isso o fará entender, mesmo que amadoramente, como funciona a relação entre editor e escritor.
  1. Comece escrevendo para blogs com audiências menores e busque ajudar blogs maiores. Mas nunca deixe de atualizar o seu site dentro do prazo estipulado por você.
  1. Se possível tente contatar revistas e jornais na sua região. Conquiste uma coluna para escrever algo interessante aos seus conterrâneos. Isso trará mais credibilidade para sua carreira.
  1. Junte o material de um ano de site (ou revista) e tente formar um e-book com esses escritos. Como eu fiz aqui no Vida de Escritor – mais informações no formulário de inscrição logo abaixo.
  1. E-book publicado? Deixe as pessoas baixando até que você perceba há audiência dele diminuiu.
  1. Daí chegou o momento de somar o conteúdo dele mais alguns artigos novos e colocá-lo para a venda em sites como a Amazon (em versão digital mesmo).
  1. E-book vendendo que nem água? Legal, você já terá reunindo audiência, experiência e treinado o suficiente. É muito fácil chegar em uma editora com um case desses e tentar publicar a versão impressa desse primeiro e-book.

 

O Mundo Merece Saber Que Você Quer Ser Um Escritor

“Você aprendeu tudo enquanto estava mudo”. – Raul Seixas

4.1.1

Esses 10 passos não são a solução definitiva para a sua carreira. É um modo de você, pouco a pouco, começar a ser o que sempre quis: um profissional da escrita.

Não existe regra, quando se fala na vida de um escritor. Porém, uma coisa posso prometer: você passará sabotar-se cada vez menos.

Quando perceber que ora está escrevendo uma porcaria de texto e ora está escrevendo maravilhosamente bem… quando perceber que, diferente do ano passado, agora escreve mais rápido, com melhor design e entende muito mais de ortografia… É que nesse momento que se descobrirá um escritor.

E não apenas mais um sonhador.

Após ler esse artigo, você se sente pronto para dar a cara a tapa? Que tal então oficializar esse sentimento?

Compartilhe esse post na sua rede social favorita clicando abaixo e conte ao mundo que você está pronto para ser um escritor (ou escritora).

Ainda com vergonha? Os comentários do VdE também são excelentes para fazer isso sem chamar muita atenção 😉

Escreva-me.

Vagner Abreu é o idealizador e editor-chefe do Vida de Escritor e especialista em Inbound Marketing (o Marketing de Conteúdo), certificado pela Hobspot Academy, USA e Acadêmico em Letras Inglês/Português pela Unisinos.

  • Marcos Junior Brizola

    muito bom artigo, no começo eu tinha medo de publicar os artigos e postar nas redes sociais, mas criei coragem e fui enfrente. primeiro criei esse blog conhecimentobiblicoprofundo.blogspot.com.br, e depois criei esse, http://vidadeescritorblog.blogspot.com.br/ . o engrassado é que a maioria dos medos eram infundados. o bacana foi o fruto da ousadia,meu primo me pediu para criar um blog para ele para divulgar o trabalho dele, ganhei vintão http://tflcolocadorpapelparede.blogspot.com.br/

    • vagnerdabreu

      Olá Marcos. Olha só… tivemos a mesma ideias para um nome do site, risos. Isso prova que as ideias estão aí. Tem que aproveitar as boas. E como está a sua produção atualmente? Não tem deixado de escrever né? Abraço

  • A.c. Costa Ferraz

    Excelente artigo, cara. Uma tapa para despertar.

    • vagnerdabreu

      Obrigado AC. Dessa vez pedi ajuda para o Rocky. Quando se fala em autoajuda e dar o melhor de si, ninguém melhor do que ele. 🙂

  • Invicta Assessoria

    Simplesmente tudo que eu precisava ler neste momento. Obrigada pelas dicas, acompanharei com mais frequencia o blog e os posts. Sinceramente: U-A-U!

    • vagnerdabreu

      Olá Invicta. Obrigado pelo seu depoimento. Ajuda a gente saber que estamos ajudando 🙂
      Minha recomendação (para você não ter que ficar entrando no blog direto) e se inscrever no nosso mailing para receber nossas atualizações no seu e-mail. Não deixe para acompanhar pelas redes socias porque o Facebook é deficitário em entregar nossos posts 🙂

  • Rodrigo Ferreira Peixoto

    Salve Vagner! Boa noite!
    Conheci seu trabalho a pouco tempo, notei que além de seus textos – que por si só são de grande ajuda – você compartilha várias dicas relacionadas a escrita.
    Caso você tenha tempo e não se incomode, poderia me dar uma pequena dica?
    Sou iniciante no tema. Apesar de não me faltar inspiração, ainda não desenvolvi minha voz e tudo que escrevo acaba sendo um plágio descarado do estilo do que li pouco antes. Isso quando consigo colocar as ideias no papel. Em todo caso, acabo achando meus textos horríveis já na primeira revisão. Mas meu pior problema é quanto ao hábito de escrever. Meus textos são tão ruins que sinto um enorme desânimo misturado á uma necessidade de escrever. O primeiro vence.
    Sei que não existem fórmulas mágicas para esse quesito, mas tem alguma dica que possa me dar sobre isso?

    De toda forma, muito obrigado pela atenção. Desculpe se tomei muito tempo.

    • vagnerdabreu

      Grande Rodrigo. Tudo bem? Em primeiro lugar, obrigado pelo seu comentário. É muito bom saber que você está prestigiando nosso site e acompanhando-o pelo e-mail. Agora vamos ao que interessa?

      A sua dúvida é tão pontual que coloquei em pauta para escrever um post sobre o tema.
      A seguir vão minhas 11 dicas que farão você sentir-se melhor no ato de escrever:

      1. Sobre o plágio descarado de escritores que você lê, não se preocupe com isso. No começo você não tem uma voz própria e leva-se algum tempo até desenvolvê-la. Meu conselho é escrever exatamente igual aos escritores que você diz “plagiar”.

      2. Exercício: procure por 5 contos de escritores diferentes que você goste. Copie-os na integra. Depois de copiado você irá reescrevê-los usando as suas palavras e mudando pouca coisa na história. EX.: o final, pense em outro final para aquela história.

      3. Depois você vai usar a mesma história como base e criar uma nova aproveitando apenas o âmago dela. EX.: Gosta de Poe? Já pensou contar uma versão cyberpunk de o Gato Preto ou o Demônio da Perversidade?

      4. Nunca tente publicar esses exercícios, pois eles são cópias (plágios). Só o faça se você conseguir transformar sua história de tal ponto que ela se torne outra completamente diferente.

      5. Terminando esse exercício você conhecerá o jeito de 5 escritores diferentes de narrar uma história. E terminando a dica 4 você terá misturado estilos de um escritor e outro, criando o seu próprio estilo. 😉

      6. Você sempre achará seus textos horríveis. Eu sempre acho meu último post muito pior que o mais recente a ser publicado. Pergunte para profissionais da escrita (jornalistas, escritores) todos acham seus textos horríveis. Porque seu texto é horrível e você deve aceitar isso.

      7. Aceitando-o como tal, você precisará submeter sua construção a um leitor ideal para que ele faça crítica do material. Você notará que raramente um escritor sabe julgar se seu trabalho está ruim ou bom. Isso é verdade, não somos tão modestos assim. Geralmente não gostamos do que escrevemos mesmo.

      8. “Já que meu texto tá uma merda para que ir até o final?” E é nesse momento que você estará jogando sua carreira fora. Mesmo com uma construção ruim, quando começar um conto deve escrevê-lo até o final. Só terminando esses exercício é que você terá noção do que é sua história.

      9. Uma vez que você tem noção do que é a sua história fica fácil escrevê-la de um jeito menos horrível. Então você vai seguir a dica do Stephen King “escrever é reescrever”. E irá reescrever tudo de novo. Agora vai ser mais fácil pois já conhece a história, só precisa encontrar as palavras certas.

      10. Escreva todos os dias. Ponha uma meta (500 palavras por dia, 1000 palavras) e siga escrevendo. Comece pequeno e vai crescendo seu ritmo.

      11. Procure na sua locadora preferida (torrent) pelo filme “Procurando Forrester” [com Sean Connery] , vai ver dicas sensacionais para escrever bem e melhor.

      Abraço

      • Rodrigo Ferreira Peixoto

        Muito obrigado, Vagner! Vou começar hoje mesmo! Assim que o próximo post, não deixe de avisar!

  • Samuel Oliveira

    Eu tenho a historia pronta mas é tao curta q n da um livro kkk não seio como desenvolve la e narrar a cada passo pra dar cara livro ao inves de um simples conto curto.

    • MarcoPaiva

      Escreva o que você tiver, e no decorrer da escrita a história te mostrará se será um conto, ou se ela pode ser contada em um livro.
      Falando assim é complicado, mas você entenderá.

      • Samuel Oliveira

        E foi realmente como voce disse: esta sendo maior que um conto e não sei como parar agora rsrsrs e nem quando vai acabar kkk