Quando foi que paramos de evoluir?

Cruzamos o século XXI entrando na era da comunicação e da tecnologia, mas isso não significa que continuamos a evoluir, pelo contrário.

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Eu assisti, em intervalos regulares, quase todos os quinhentos e poucos governistas que vomitaram suas verborragias teatrais, em decorrência do impedimento da Presidente desta República Federativa do Brasil tão mal calculada, progressivamente falando.

Eu já havia tirado algumas conclusões sobre o processo de involução o qual não o Brasil, mas o mundo está passando. Sim, senhores. Há muito tempo, talvez décadas, paramos de evoluir e agora nosso processo é o regresso. O filósofo alemão já nos contava sobre o eterno retorno e se pararmos para observar, o mundo realmente dá suas voltas para, em seguida, os acontecimentos retornarem ao seu próprio epicentro. Darwin se pudesse ainda escrever, com certeza postularia um novo tratado, agora, sobre a Involução das Espécies.

O que nos deixa convictos de que estamos caminhando em direção ao futuro é a tecnologia. Os avanços tecnológicos nos fazem crer que a evolução é algo natural. Neste momento há um comercial em que um carro moderníssimo estaciona-se sozinho numa vaga minúscula de garagem, ou que um novo celular consegue tirar fotos em alta resolução embaixo de litros de água, ou mesmo, uma impressora 3D que consegue reproduzir órgãos humanos artificiais com uma precisão metafísica e todos esses avanços, repito, acabam por nos enganar fazendo-nos crer na contínua evolução. Ledo engano.

O Homem estagnou-se numa zona de conforto, apenas o mundo a sua volta é o que continua a girar.

Infelizmente estamos falando a nível de estatísticas. A humanidade estagnou-se deslumbrada pelo o que chamamos de mundo do entretenimento consumista. Você desvia o olhar humano, aquele que deveria raciocinar, para o nova série que está estourando neste momento num canal qualquer de streaming, num novo celular, num novo blockbuster estreando no cinema, num novo aplicativo que mudará o layout do seu novo tablet. Nesse processo de involução, a informação rápida, o novo baluarte do século XXI, acaba por se transformar numa informação rápida e irrelevante. Pessoas criam opiniões e as definem através de leituras rápidas e rasas feitas via on-line. Citações são tomadas como opiniões de vida, aforismos vagos são colocados como estandartes, os “entre aspas” são lidos e transformam-se em dados relativos.

A débil forma de se governar uma nação.

Eu não condeno a cultura das massas. Longe de mim não colocar culturalmente uma música do morro como uma forma de expressão. O que eu condeno é a falta de evoluir da humanidade. É a falta que nos faz ter novos pensadores que nos faça questionar sobre a vida. Quando falo Pensadores falo de um grande personagem que venha marcar com opiniões contundentes a história da humanidade. O último desta boa safra de Pensadores perdemos este ano, Eco pensava e questionava sobre para qual tipo de involução a Internet nos estaria levando. E sabemos que o que temos hoje são forjadores de opiniões, não mais formadores. As Redes Sociais estão exterminando com a nossa maneira racional de ver o mundo.

Educação é a base para que acabemos de vez com a alienação adolescente.

Adolescentes. A base de uma sociedade?

Lê-se cada vez menos. A Educação em qualquer país é o fundamento necessário para um bom relacionamento social. Sabemos que em pleno século XXI a crise social é a maior já vista desde as imprevisíveis consequências que a era industrial nos deixou. A tecnologia um dia nos trouxe a TV, relegando o rádio a museus, hoje esta mesma TV nos trás terríveis constrangimentos culturais e cada vez mais ela caminha para um futuro débil e incoerente. A Comunicação e a Energia são os impérios que sempre moveram o mundo e quem os contem, famílias ultra milionárias, movem obviamente a economia mundial. Um desvio descabido dos verdadeiros princípios éticos da humanidade. Não falo sob nenhum aspecto conspiratório, isso está visível para todos e quem mais sofre com esta degradação dos nossos princípios são os nossos adolescentes, estes, hoje, completamente perdidos e alienados.

Os adolescentes são, pelo princípio ético de uma sociedade, os que preparam a base do mundo. O legado que nós adultos deixamos é para a continuidade dessa nova causa primária. Se acabamos por destruir a sociedade que tanto preservamos, são os adolescentes que irão libá-la de alguma forma transformando-a em algo historicamente melhor; se fizemos desta sociedade um exemplo, cabe a esses adolescentes preservá-la e fazê-la caminhar ainda mais para um futuro melhor, ou seja, evoluir.

Mas todo esse ideal se torna impraticável quando a informação cultural e educativa se perde no meio de uma involução projetada pelos poderosos, que dão continuidade ao poder emburricado desta nova juventude; uma adolescência que deveria ser, pelo menos, a base para movimentos rumo a uma sociedade estável e justa, jamais utópica.

Um virar de página, uma consternação, algo que nos retire as vendas.

Na cultura oriental para se chegar à Ordem o tudo deve-se acabar no Caos. Para se chegar ao futuro devemos nos consternar decididamente pelo passado. E para termos um passado ou mesmo pensarmos num futuro, devemos viver decididamente o presente retendo nele coisas que o evoluam. Educação é a base para se fazer uma sociedade evoluir. Parece óbvio, mas não sei porque esse tópico nunca é levado a contento num parlamento ou numa votação junto ao Senado.

Voltando àquela ridícula encenação sobre a derrubada da Presidente Dilma Rousseff, todos os governistas disseram exacerbados fazerem isso pela sua família, apenas pela sua família. Você governa para o povo e pelo povo e enquanto político, sua família é sua sociedade. O que os condena, digo os políticos, é a fraqueza de espírito, a mesquinharia, o egoísmo, a busca inexorável pelo poder, o deslumbramento pelo dinheiro fácil. É vergonhoso o que assisti no último domingo. É retirar de uma cadeira um Al Capone para colocar um Dom Corleone.

Infelizmente, este é o nosso processo de involução.

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Formado em Artes e Letras. É Ilustrador Profissional, Quadrinista, Professor de Desenho, Escritor e um dos responsáveis pelo Estúdio de Quadrinhos UCMComics onde divulga e promove a cena independente na cidade de Curitiba. Já publicou diversos livros e revistas em quadrinhos, tanto impressos quanto digitais. Participou de diversas exposições de quadrinhos e artes plásticas, ministra Palestras, Workshops, Oficinas e Encontros como Quadrinista e Professor de Desenho.